Ivã Volpi nasceu em Papagaios, interior de Minas Gerais, em 31 de agosto de 1957. Aos 20 anos formou-se técnico em Desenho Arquitetônico pelo Instituto de Arte e Projeto (INAP, Belo Horizonte). Em 1981, graduou-se em Desenho Industrial pela Fundação Mineira de Arte Aleijadinho (FUMA, Belo Horizonte), iniciando a carreira de Designer Gráfico e Programador Visual. Entre 1982 e 1985, Ivã trabalhou para várias empresas na capital mineira, desenvolvendo projetos gráficos para moda, teatro e mídia impressa.
A necessidade de não estar preso a encomendas e a busca pela autonomia criativa impulsionaram Ivã Volpi a romper com sua trajetória profissional. Em 1986, após fechar seu estúdio de programação visual em Belo Horizonte, mudou-se para São Sebastião das Águas Claras (Macacos). Nesse arraial construiu residência, montou ateliê, pesquisou materiais e começou a produzir peças feitas com bambu.
Depoimento do artista
Como começou o trabalho com as bandeiras de Sao Sebastiao? O trabalho com as bandeiras é uma evoluçao do trabalho com os tapetes. A bandeira é um tapete de dois lados. Essa história começou há uns vinte e poucos anos atrás, quando eu estava assistindo a uma procissao de Sao Sebastiao em Macacos. A bandeira da procissao era feita de linho, mas estava velha, descorada. Entao, resolvi fazer uma outra. Peguei um tecido e uma talagarça e fiz a primeira. Pensei comigo: “Na festa de Sao Sebastiao eu vou dar a bandeira para o pessoal.” Quando levei o presente, todo mundo achou uma maravilha! Como voce trabalhou a imagem de Sao Sebastiao na bandeira? Peguei uma gravura de Martinelli, aquele Sao Sebastiao tradicional, colei e arrumei uma maneira de encaixá-la. Eu lembro que desmanchei o fundo original da gravura e coloquei a imagem do arraial. Enfim, esta foi a primeira. Dei a bandeira e todo mundo gostou. Entao, disse: “Olha, Sao Sebastiao, o senhor me protege aqui no arraial. De-me saúde, felicidade, manda um cliente de vez em quando no meu atelie, que eu te dou uma bandeira todo ano.” Desde entao, todo ano eu faço uma bandeira. Em todas as bandeiras anteriores eu trabalhei com a gravura do Martinelli, um artista paulista. A partir do quinto ano comecei a introduzir gravuras de artistas italianos, holandeses, franceses... Nessa época aconteceu um incidente, fiz uma bandeira com a imagem produzida pelo italiano Andréa Mantegna, aquela tela que está no MASP. Entretanto, o Sao Sebastiao deste quadro está seminu. O padre, quando viu a bandeira com o Sao Sebastiao quase nu, horrorizou-se e mandou dizer que nao queria modernidades na igreja dele. [risos] Por causa disso fiquei de castigo, fiquei quatro anos sem fazer a bandeira. Só voltei a fazer depois que este padre mudou de paróquia. Desde entao, todas as vezes que faço a bandeira, eu mostro para os devotos as gravuras que tenho e eles me ajudam a escolher. A partir disso, criou-se, também, a tradiçao das pessoas virem amarrar uma fita na bandeira. Com isso, ela ficou carregada de significados. Hoje já tenho 15 bandeiras – eu guardo todas que já fiz. A comunidade gosta desse trabalho e gosta de participar. As vezes eu chamo crianças para ajudar. Tem bandeira que foi toda confeccionada com as crianças. As pessoas do arraial sabem que eu estou fazendo, vem e me ajudam.
Iva Volpi, Sao Sebastiao das Águas Claras (Macacos), maio de 2008.
Trecho do depoimento publicado no livro Iva Volpi Circuito Atelier, Belo Horizonte, Editora C/Arte, 2008, p. 21-22. |
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